A produção científica brasileira alcançou um importante reconhecimento com a vitória da obra “Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica” no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026. Publicado pela Editora CRV, o livro venceu a categoria Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional.
Organizada por Rayná da Silva Brum Pinto, Anna Carolina Carvalho de Souza e Gabriela Conceição de Souza, a publicação reúne diferentes trajetórias de mulheres que atuam na pesquisa, na docência e em outros espaços profissionais. Ao aproximar experiências pessoais, investigações acadêmicas e reflexões sociais, a obra amplia o debate sobre a participação feminina na ciência.
O resultado foi anunciado em 11 de agosto de 2026, durante a cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Promovida pela Câmara Brasileira do Livro, a terceira edição do prêmio contemplou 27 categorias distribuídas entre os eixos Ciência e Cultura e Prêmios Especiais. Além da premiação destinada às autoras e aos autores, as editoras responsáveis pelos livros vencedores também receberam a estatueta do Jabuti Acadêmico. Confira o anúncio oficial da Câmara Brasileira do Livro.
Para a Editora CRV, a conquista representa um marco em sua trajetória e reforça seu compromisso com a publicação e a disseminação de pesquisas relevantes, plurais e comprometidas com os desafios da sociedade contemporânea.
O que é o Prêmio Jabuti Acadêmico?
Criado em 2024 pela Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Jabuti Acadêmico é dedicado ao reconhecimento de obras acadêmicas, científicas, técnicas, profissionais e didáticas publicadas em língua portuguesa.
A iniciativa amplia a tradição do Prêmio Jabuti, uma das principais distinções do mercado editorial brasileiro, ao estabelecer um espaço específico para valorizar pesquisadores, autores, organizadores, editores e demais profissionais envolvidos na produção de livros voltados à formação, à pesquisa e ao desenvolvimento científico.
Em 2026, a premiação chegou à sua terceira edição e recebeu 2.085 inscrições. Os livros concorreram em diferentes áreas do conhecimento, evidenciando a diversidade e a relevância da produção científica nacional. A obra “Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica” esteve entre os cinco títulos finalistas de sua categoria e, posteriormente, foi anunciada como vencedora. Conheça o Prêmio Jabuti Acadêmico.
Uma obra construída por mulheres pesquisadoras
“Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica” é uma obra coletiva construída por 20 mulheres. Ao longo de suas 338 páginas, o livro reúne estudos, memórias, experiências e reflexões que revelam diferentes formas de vivenciar e produzir conhecimento.
Os capítulos abordam temas como autoetnografia, bullying, racismo, maternidade, gênero, sexualidade, esporte, cidadania, direitos humanos, inclusão, formação docente, mercado de trabalho e trajetória acadêmica. Embora partam de experiências distintas, os textos compartilham uma preocupação central: tornar visíveis as contribuições das mulheres e discutir as estruturas que ainda limitam sua participação e seu reconhecimento no universo científico.
A obra também se diferencia pela pluralidade de suas formas de escrita. Relatos pessoais, reflexões acadêmicas e perspectivas autoetnográficas se encontram para demonstrar que a produção científica não está separada das trajetórias de quem pesquisa. Experiências profissionais, identidades, dificuldades, afetos e processos de resistência também participam da construção do conhecimento.
Esse caráter coletivo fortalece a proposta apresentada no próprio título. Transgredir a hegemonia acadêmica significa questionar estruturas consolidadas, ampliar os espaços de participação e reconhecer que a ciência se torna mais completa quando diferentes experiências, vozes e perspectivas são consideradas.
Quem são as organizadoras da obra vencedora?
A organização do livro é assinada por três pesquisadoras integrantes do Grupo de Pesquisa em Escola, Esporte e Cultura (GPEEsC).
Rayná da Silva Brum Pinto
Mestra em Ciências do Exercício e do Esporte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rayná da Silva Brum Pinto é licenciada e bacharel em Educação Física pela UERJ e docente do Colégio Pedro II. Sua trajetória articula pesquisa, formação acadêmica e atuação na educação.
Anna Carolina Carvalho de Souza
Anna Carolina Carvalho de Souza é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no qual também concluiu o mestrado. É licenciada e bacharel em Educação Física pela UERJ e atua como docente do Colégio Pedro II.
Gabriela Conceição de Souza
Gabriela Conceição de Souza é doutora em Ciências do Exercício e do Esporte pela UERJ e realizou pós-doutorado em Educação Física na UFRJ. Professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro, também desenvolve atividades relacionadas à pesquisa e à Educação Física.
A atuação conjunta das organizadoras e das demais pesquisadoras resultou em uma publicação que aproxima ciência, educação e experiências concretas, contribuindo para a compreensão das desigualdades presentes no meio acadêmico. Conheça a obra vencedora.
Mulheres na ciência: por que essa conquista é importante?
A vitória no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 representa mais do que o reconhecimento editorial de um livro. Ela contribui para ampliar a visibilidade de discussões sobre gênero, desigualdade, produção científica e participação feminina na construção do conhecimento.
Ao longo da história, as mulheres enfrentaram diferentes barreiras para ingressar, permanecer e alcançar posições de destaque em universidades, centros de pesquisa e instituições científicas. Embora mudanças importantes tenham ocorrido, ainda existem desafios relacionados à distribuição de oportunidades, à conciliação entre trabalho e cuidado, ao acesso a posições de liderança e ao reconhecimento das contribuições intelectuais femininas.
Nesse contexto, reunir mulheres para falar sobre suas pesquisas e trajetórias também constitui uma forma de produzir memória. A publicação registra experiências que poderiam permanecer dispersas ou pouco visíveis e as transforma em conhecimento compartilhado.
O reconhecimento recebido pela obra reforça a importância de uma ciência aberta à pluralidade de sujeitos, temas e métodos. Quando experiências historicamente silenciadas encontram espaço na produção acadêmica, novas perguntas podem ser formuladas e diferentes interpretações da realidade tornam-se possíveis.
A contribuição da obra para a Educação Física
A categoria na qual o livro foi premiado reúne produções das áreas de Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional. Nesse campo interdisciplinar, a obra apresenta uma contribuição especialmente significativa por relacionar corpo, educação, identidade, esporte, saúde e sociedade.
Os capítulos demonstram que a Educação Física não se limita ao desempenho esportivo ou ao desenvolvimento de habilidades corporais. A área também participa de debates sobre inclusão, diversidade, relações de gênero, racismo, formação humana, cidadania e direitos sociais.
Ao apresentar pesquisas desenvolvidas por mulheres em diferentes contextos, o livro contribui para ampliar a compreensão da Educação Física como área de conhecimento. O corpo aparece não apenas como objeto biológico, mas também como espaço de memória, identidade, resistência e experiência social.
Essa abordagem torna a publicação relevante para pesquisadoras, pesquisadores, docentes, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais da Educação Física e leitores interessados em compreender as relações entre ciência, corpo, educação e sociedade.
Uma trajetória marcada por obras finalistas
A vitória de “Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica” sucede uma trajetória de reconhecimentos alcançados por livros publicados pela Editora CRV. Em diferentes edições do Prêmio Jabuti e do Prêmio Jabuti Acadêmico, outras obras da editora já estiveram entre as finalistas.
Jornalismo das periferias: o diálogo social solidário nas bordas urbanas
A obra "Jornalismo das periferias: O diálogo social solidário nas bordas urbanas" da autoria de Mara Rovida, foi finalista do Prêmio Jabuti em 2021, na categoria Ciências Sociais. O livro analisa práticas jornalísticas desenvolvidas nas periferias urbanas e discute formas de comunicação comprometidas com a proximidade, o diálogo e a transformação social.
A publicação é indicada para pesquisadores, estudantes e profissionais das áreas de Jornalismo, Comunicação e Ciências Sociais, especialmente para aqueles interessados em representatividade, mídias locais e construção de narrativas sobre grupos e territórios que nem sempre encontram espaço nos meios tradicionais.
A teoria do decrescimento e sua aplicação no constitucionalismo brasileiro para o alcance da sustentabilidade
A obra "A teoria do decrescimento e sua aplicação no constitucionalismo brasileiro para o alcance da sustentabilidade" foi finalista do Prêmio Jabuti em 2022, a obra de Marcus Mauricius Holanda aproxima Direito Constitucional, sustentabilidade e teoria do decrescimento. O livro questiona modelos de desenvolvimento fundamentados na expansão permanente da produção e do consumo, propondo reflexões sobre os limites ambientais e a necessidade de novos paradigmas econômicos e jurídicos.
A publicação interessa principalmente a pesquisadores das áreas de Direito, políticas públicas, sustentabilidade e meio ambiente, além de contribuir para debates sobre responsabilidade coletiva e proteção das condições de vida das futuras gerações.
Além das próprias forças: origens e caminhos das ciências do esporte no Brasil entre as décadas de 1930 e 1980
Escrito por Quéfren Weld Cardozo, o livro "Além das próprias forças: origens e caminhos das ciências do esporte no Brasil entre as décadas de 1930 e 1980" foi finalista da primeira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, em 2024, na mesma categoria vencida pela Editora CRV em 2026.
A obra investiga a formação e a consolidação das ciências do esporte no Brasil ao longo do século XX. Ao recuperar acontecimentos, instituições, personagens e movimentos científicos, oferece uma contribuição importante para a preservação da memória da Educação Física e para a compreensão de seu desenvolvimento como campo acadêmico.
O comércio ilegal de anabolizantes no Direito Penal e Processual Penal: do traficante ao usuário do fitness
A obra “O comércio ilegal de anabolizantes no direito penal e processual penal:Do traficante ao usuário do fitness” de Rafael da Silva Mattos, o livro foi finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 na categoria Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social. A publicação analisa o comércio ilegal de substâncias anabolizantes a partir de uma perspectiva interdisciplinar, aproximando Direito Penal, segurança pública, saúde coletiva e práticas presentes no universo fitness.
A obra é indicada para pesquisadores e profissionais interessados nas dimensões jurídicas, sociais e sanitárias relacionadas ao uso e à circulação dessas substâncias.
População LGBTI+ e política de assistência social: proteção ou desproteção social?
A obra “População LGBTI+ e política de assistência social: Proteção ou desproteção social?” escrita por Mariko Hanashiro, também esteve entre os finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025. A obra apresenta uma análise crítica da política de assistência social brasileira e de sua capacidade de atender às necessidades da população LGBTI+.
Ao discutir preconceitos históricos, limitações institucionais e possibilidades de aprimoramento das políticas públicas, a publicação contribui para estudos sobre Serviço Social, direitos humanos, diversidade e proteção social.
O estágio em Serviço Social entre ventanias e banzeiros: navegando de Manaus a Porto Alegre
A obra “O estágio em serviço social entre ventanias e banzeiros: Navegando de Manaus a Porto Alegre” de Vivianne Batista Riker de Sousa completa o conjunto de títulos da Editora CRV finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025. O livro investiga experiências de estágio em Serviço Social em diferentes contextos regionais e sociais, aproximando formação acadêmica, exercício profissional e transformações políticas.
A publicação é especialmente relevante para estudantes, docentes, supervisores de estágio e profissionais interessados nos desafios contemporâneos da formação em Serviço Social.
Essas obras podem ser conhecidas na página especial da Editora CRV no Prêmio Jabuti e no Prêmio Jabuti Acadêmico.
Um reconhecimento compartilhado
A vitória de “Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica” é resultado do trabalho coletivo das organizadoras, autoras, pesquisadoras, profissionais da área editorial e instituições que contribuíram para a construção e a circulação da obra.
O prêmio amplia a visibilidade de um livro que trata de questões fundamentais para a ciência e para a sociedade. Ao reconhecer uma publicação construída por mulheres e dedicada a suas experiências na pesquisa, o Jabuti Acadêmico também evidencia a importância de ampliar espaços de escuta, participação e representação.
Para a Editora CRV, receber a estatueta do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026 representa a continuidade de um trabalho comprometido com a publicação de livros científicos, acadêmicos e técnicos em diferentes áreas do conhecimento.
Mais do que uma conquista editorial, esse reconhecimento celebra a pesquisa brasileira, a força da autoria coletiva e o poder dos livros de promover debates, preservar trajetórias e transformar o conhecimento.







