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Sinopse:
Temos pensado as infâncias em diálogo com Deleuze (2012), compreendendo-as como um dispositivo, uma rede complexa e heterogênea que articula discursos, instituições, arquiteturas, regulamentações e práticas que produzem o “ser criança” como um efeito de poder-saber. Como dispositivo, a infância é atravessada por linhas dinâmicas e tensionais. Aqui, buscamos dar visibilidade a essas linhas que compõem a infância, como as linhas de força, constituídas pelas normas, leis, discursos adultocêntricos e hegemônicos; as linhas de subjetivação, constituídas pelos modos de ser criança e, sobretudo, as linhas de fuga, constituídas pelos pontos de ruptura que escapam à captura (Tebet, 2019). É nessas linhas, nas suas dobras, fissuras e movimentos, que buscamos fazer visível o jogo político das infâncias. Mas se a infância como dispositivo opera por captura e codificação dos corpos e dos tempos infantis, é justamente aí que o devir-criança irrompe como potência de desestratificação. O devir-criança não é um retorno à infância, nem uma nostalgia do “ser criança”, é um processo ativo de desmontagem dos signos e territórios que a sociedade adultocêntrica impõe sobre os corpos em crescimento.
Autores:
Alessandra Mendes Luiz é uma linda mulher negra, mãe de dois meninos, está, no auge dos 47 anos, experienciando uma nova metamorfose. Nascida na cidade de Duque de Caxias, graduada em administração, com ênfase em gestão de recursos humanos, pela Universidade Estácio de Sá, atualmente é graduanda em pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ). Especialista em políticas Públicas e socioeducação, pela Universidade de Brasília, Escola Nacional de Socioeducação (UNB/ENS), é servidora pública do Estado do Rio de Janeiro, está como diretora da divisão de gestão de pessoas do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE). É apaixonada por pessoas, histórias e relações interpessoais, adora viajar e aprecia uma bela xícara de café.
Ana Júlia Soares tem 24 anos e é estudante de pedagogia na FEBF-UERJ.
Participar dessa disciplina foi mergulhar em um processo intenso e transformador. No início, me senti insegura sobre o que escrever, mas aos poucos fui entendendo que não era sobre fazer algo “grandioso”, e sim verdadeiro. As aulas, os textos e as leituras nos convidaram a pensar sobre memória, afeto e experiência. Vivemos momentos de escuta profunda, em que conhecemos o lado interno dos colegas e também partilhamos o nosso. A leitura e o compartilhamento de memórias nos uniram, nos tornaram mais próximos. Compartilhar uma lembrança que, à primeira vista, talvez não pareça íntima, foi um ato de coragem. Mas ela se tornou profundamente íntima justamente por ser um sentimento meu, particular, cheio de camadas e significados que só eu compreendia por completo. Nesse momento, me emocionei, chorei, mas também fui acolhida. A minha grande amiga Claudia dos Anjos leu o meu texto para todos com tanta sensibilidade que parecia que era eu mesma falando. Ela traduziu exatamente o que eu sentia e queria compartilhar. Lembrei do que nos diz Jorge Larrosa, que experimentar algo exige tempos lentos (2022), e percebi que esse processo foi isso mesmo: lento, afetuoso, cheio de verdade. A disciplina me atravessou de muitas formas e me fez perceber que escrever é também um gesto de escuta de si e do outro, de entrega e de coragem. Mesmo que hoje essa lembrança pareça confortável, no momento ela foi extremamente sensível, amável e carregada de um sentimento que, apesar de vivido por dois, possuía uma complexidade emocional gigantesca.
Carla Lerilandia de Souza Alencar tem 24 anos e é do interior do Ceará. Hoje mora em Duque de Caxias (RJ) e estuda pedagogia na FEBF-UERJ.
Ao longo da disciplina ministrada pela professora Leila, pude compreender melhor a relação entre escrita, memória e expressão, o que foi fundamental para que eu despertasse uma voz própria e ousasse transformar minhas lembranças em um texto que toca outras pessoas. Essa experiência contribui diretamente para o desenvolvimento da minha escrita. Durante as aulas, também refletimos sobre espaço, tempo e materialidade. Percebi que minha escrita nasce em espaços simbólicos e afetivos: no diário de Lola, na pausa silenciosa da casa, na travessia entre o passado e o presente. Ali, o tempo não é só cronológico, é memória que volta, dor que pede escuta, e palavra que se transforma em liberdade. Essa é a geração que a própria autora sonhava para si mesma, mas talvez não tenha tido. Se esse texto fizer com que pais e professores passem a escutar mais seus filhos e alunos, então já terá cumprido seu papel. Porque a geração que escuta será, sem dúvida, melhor do que as que vieram antes de nós.
Claudia dos Anjos dos Santos é carioca da gema, moradora da Baixada Fluminense, em Duque de Caxias e estudante de pedagogia na FEBF-UERJ, onde teve a oportunidade de cursar disciplinas incríveis.
A disciplina “A criança e sua escolarização” foi uma experiência transformadora para mim. Aprendi que o desenvolvimento dos sentidos na infância é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança. Como docentes, podemos direcionar o desenvolvimento das habilidades durante essa fase crucial, reconhecendo que a criança é naturalmente criativa e que as imposições da sociedade podem limitar essa criatividade. As aulas me fizeram redescobrir a importância de olhar para os detalhes da natureza e das pessoas, apreciando a diversidade de cores, formas e sons. Na educação infantil, essa abordagem pode fazer toda a diferença, permitindo que cada criança desenvolva seu próprio modo de criar e contribuir para a cultura. Essa experiência me mostrou que a liberdade de experimentar e experienciar é essencial para o desenvolvimento saudável da criança. Como educadores, podemos criar ambientes que fomentem a criatividade e a curiosidade, permitindo que as crianças floresçam e se desenvolvam de maneira autêntica.
Emanuelly Freitas Cerzedello tem 20 anos, é estudante do 5° período do curso de licenciatura em pedagogia na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense. É apaixonada por educação e livros. “Queriam prender meu cabelo” foi inspirado em sua vivência na infância, e ela deseja que todas as crianças cacheadas e crespas possam usar seus cabelos do jeito que acharem melhor.
Durante a disciplina de Infâncias, pude relembrar vivências da minha infância e foi esse o ponto de partida para a escrita do meu livro “ Queriam prender meu cabelo”. Aos 10 anos de idade, minha avó precisou operar e minha mãe a acompanhou. Em uma casa onde as mulheres, aquelas que cuidavam do meu cabelo, não estavam presentes, me vi perdida. Para ir à escola, prendi o meu cabelo de um jeito que ele ficava super volumoso, eu amava, mas tinha vergonha de sair de casa. Ao chegar na escola, a professora olhou para o meu cabelo com cara de reprovação e perguntou quem havia prendido o meu cabelo daquele jeito. Envergonhada, menti e disse que havia sido a minha mãe. Foi nos momentos de reflexão durante a disciplina que entendi as dores da infância e percebi o que não quero ser como docente.
Erick Albuquerque de Oliveira tem 20 anos, é nascido e criado em Duque de Caxias. Sempre gostou muito de arte e histórias ficcionais porque entende que sempre são porteiras para outros mundos que mais conseguem destrinchar o nosso próprio. “Compartilhar um pouco da minha arte é de uma felicidade imensa. Arte é tudo e mais um pouco.”
A experiência da elaboração do texto foi em um ambiente de conforto. Todo o projeto anterior vinha numa construção de narrativa do compreender do sentir. Acessar as partes mais sensíveis do eu interno e buscar (através de reflexão e abstrações) compreender essas partes. As pequenas ansiedades, incertezas e inseguranças. Me senti bem confortável, durante toda a fabricação do texto, para, através da arte, expor um lado mais interior e escondido de mim mesmo. Mais como um exercício de exploração artística de quem produz a arte que explora. Tudo foi bem fluído, sem metas ou objetivos pragmáticos. Apenas a oportunidade de colocar em exposição aquilo que me faz humano.
Fabíola Martins Fernandes tem 45 anos, é uma mulher negra, mãe da Manuella e moradora da Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro. É bacharel em direito pela Universidade Cândido Mendes e atualmente estudante de pedagogia na FEBF-UERJ.
Este projeto só foi possível graças ao aprendizado adquirido na disciplina Infâncias I, somado à experiência da maternidade, que me levou a um estado de inquietação, desconstruindo conceitos e provocando reflexões profundas. A emoção sempre me toma após a leitura deste livro, pois, no momento da escrita, vinham à tona memórias familiares e, atualmente, a dor da partida do meu companheiro. Isso mostra que, na vida, passamos constantemente por altos e baixos, mas não podemos desistir da felicidade, pois é nos pequenos gestos, nas memórias e nas novas oportunidades que encontramos forças para continuar e renascer. O livro Jardim Feliz é uma homenagem às mulheres da minha família Martins, que, apesar das dores e desafios enfrentados dentro e fora do ambiente familiar, encontraram força para seguir em frente, permanecendo unidas pelo amor.
A partir da proposta de escrever um livro infantil feita pela professora Leila Mendes, considerando as experiências vividas em sala, me permiti ser movida pelos afectos desencadeados nesta disciplina, ora pelas atividades propostas, ora pelas leituras dos textos, para construir minha narrativa, baseada nas lembranças da minha infância. Enquanto escrevia aquelas palavras, permiti que minha mente viajasse, voltando à casa onde cresci, olhando os brinquedos antigos, muitos que ainda guardo por puro apego e revendo filmes que me marcaram. Como num quebra-cabeças, mergulhei em uma tentativa de remontar a minha infância por meio do que Barbieri (2021) nomeou como cápsulas de significados. O conto “Fernanda e a caixa mágica é um retrato da minha infância”, que, mesmo permeada de magia, carregava um vazio, um espaço silencioso, onde eu só era capaz de ouvir os moradores da casa e as vozes do meu interior. O externo era repelido por uma capa de amor e proteção, mas também de medo dos atos dos quais o externo é capaz. A caixa tão atenciosa, neste livro, representa as diversas caixas que passaram pela minha infância, a caixa de brinquedos, a caixa da TV, as caixas de presentes, os boxes de livros que eu lia tão apaixonadamente, as paredes da casa onde cresci. Quando finalmente saí da caixa e pude vislumbrar o mundo, a solidão não me deixou, me acompanhou como um fantasma, sob a forma da ansiedade e da depressão. Pedi por amor, pedi pelo fim do vazio e a caixa me ouviu, do meu corpo ganhei minha melhor amiga, minha filha Maitê, atualmente com 6 anos. Este livro é dedicado a ela, minha companheira de vida, maternagem, leitura e escrita.
Gabriella Caciano tem 29 anos, é estudante de pedagogia da FEBF-UERJ, moradora da Baixada Fluminense e apaixonada por bichos.
Na disciplina de infâncias pude reencontrar o meu eu criança que estava perdido. Revisitei memórias de um tempo em que fui feliz com o simples. Me lembrei de como sou forte, e que todas essas lembranças fazem parte do que sou hoje. Também explorei um lado artístico, que nem eu mesma sabia que tinha. O livro “As aventuras de Frodo, o porquinho-da-índia” foi escrito em homenagem ao meu porquinho-da-índia, que me fez companhia durante uma depressão e me salvou diversas vezes. Uma singela homenagem a quem me acompanhou por 6 anos.
Grasielly Ribeiro tem 23 anos, é mulher, criada por mulheres de fibra, e foi em um projeto social que viveu seu primeiro encontro com a dança — que transformou sua vida. Hoje é bailarina, professora, moradora da Baixada Fluminense e estudante de pedagogia na FEBF-UERJ.
Experienciar essa disciplina foi um diferencial para a minha formação docente, todas as atividades aplicadas pela professora Leila me impactaram positivamente e acrescentaram na minha didática. A feitura do livro como trabalho final foi uma experiência incrível, pois posso afirmar que é a realização de um sonho, já que desde a infância cativo a ambição de me tornar escritora, e pude vivenciar isso através dessa disciplina.
Iza Kiara Tomé
Iza Kiara Tomé tem 25 anos, é estudante de pedagogia na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ). Filha de Lilian e Luiz. Neta de Inês e Mario. Irmã e tia.
Criar este livro foi muito mais do que um trabalho para a universidade, foi um ato de amor e de cura. Em meio à dor da perda do meu pai, encontrei nas páginas desse projeto um lugar para celebrar sua vida e o legado de apoio incondicional que ele me deixou. Cada palavra escrita era uma forma de manter vivo o homem que acreditou em mim antes mesmo que eu mesma acreditasse. “O incrível jardim de Luiz” é uma homenagem ao meu pai, Luiz Carlos, falecido poucas semanas antes da criação desta obra.
Jaynara Lima nasceu em 23 de fevereiro de 1996 na cidade de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. Tem 29 anos e cursa licenciatura em pedagogia, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ).
Juliana Ramos de Paula nasceu em 18 de janeiro de 1989, no Rio de Janeiro. É mulher, negra, mãe, moradora da Baixada Fluminense, e atualmente cursa pedagogia na FEBF-UERJ.
O livro “A menina que queria voar” foi inspirado na minha história, e na vontade que eu tinha de mudar a minha realidade.
Lívia Lima da Silva Eugênio tem 22 anos, está no final da licenciatura de pedagogia na FEBF-UERJ, e atualmente é professora de sala de leitura, gosta do mundo da literatura infantil, que a inspira a transformar suas vivências em histórias infantis.
Na disciplina ministrada pela professora Leila Mendes, tivemos a oportunidade de vivenciar várias experiências estéticas, atribuir conhecimentos aos territórios da narrativa, desenho, espaço, tempo e materialidade. E, nessa jornada, o que me chama atenção é que, quando pensamos no conceito de processos e jornadas, é inevitável considerar os espaços percorridos e suas transformações em experiências afetivas singulares, ainda que esses espaços e materiais se apresentem de forma repetitiva, estática ou vazia, eles sempre exercem algum tipo de comunicação significativa na nossa experiência, e foi exatamente o que pudemos experimentar pensar, viajando em nossas próprias lembranças na disciplina. O livro pensado por mim, “Lia descobre o arco-íris”, surgiu a partir de memórias e de diversas experiências vividas ao longo do tempo, que, após uma crise de ansiedade (representada no livro pela metáfora da tempestade), nos mostra a importância que uma outra pessoa tem em nossas vidas, alguém que nos ajude a perceber que, assim como existem momentos difíceis, também existem os momentos bons que merecem ser reconhecidos. O livro “Lia descobre o arco-íris” é uma dessas vivências importantes na minha trajetória, para mostrar que, mesmo quando achamos que a vida não terá mais cor, o arco-íris sempre aparece depois da chuva.
Marília Marinho é mulher preta, gorda, nordestina. Tem 38 anos, está no 5° período de pedagogia na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (UERJ/FEBF). Cresceu entre grandes dificuldades, e para ela estudar é um ato revolucionário, pois é o ato de rebeldia contra o sistema que insiste em nos apagar. Traz no corpo as marcas de uma história sofrida, e no coração o desejo de reescrevê-la com beleza e coragem. Acredita no poder da palavra, no afeto como força e na educação como caminho. Sonhadora, sim, porque sonhar é também um ato de resistência.
Escrever este livro foi mais do que um exercício acadêmico, foi uma travessia. Cada palavra escrita me reconectava com a criança que fui e com as infâncias que hoje me atravessam como educadora em formação. Durante esse processo, vivi momentos de encantamento, dúvida e descoberta. Uma verdadeira experiência estética, onde o pensamento ganhava forma, cor, textura e afetos. Sou grata a Deus por esse encontro com a professora Leila Mendes. Fazer a matéria de Infâncias foi um divisor de águas na minha trajetória. Ela me desestabilizou no melhor sentido: desorganizou certezas prontas e abriu espaço para escuta, presença e sensibilidade. Aprendi que as infâncias não cabem em diagnósticos ou moldes, e que a educação precisa ser um espaço onde a vida pulsa com liberdade e criatividade. Este livro nasceu desse encontro entre teoria e vida, entre escrita e experiência. Agradeço muito por essa oportunidade de transformar vivências em palavras e de me descobrir: a criança, que antes estava num canto chorando, hoje dança em cima da dor. Eu me encontro cada vez mais apaixonada por uma educação que acolhe, questiona e transforma.
Marcelli Ribeiro tem 34 anos e é uma mulher da Baixada Fluminense que ama estudar e viajar. Quando começou a ler, só parou ao ver que tinham acabado todos os livros de sua casa, foi aí que ela passou a inventar histórias novas. Já foi estudante de história, hoje é de pedagogia. A escrita sempre foi abrigo, uma pausa e um recomeço para ela. Espera que sua história inspire novos escritores a tirar os personagens, reinos e diálogos da cabeça pro papel.
A construção do livro foi uma experiência estética que me reconectou com meu lado escritor e com meu ateliê de invenções. Apesar da seriedade do trabalho, me senti livre e me diverti. Fiquei feliz com o resultado e relembrei saberes sobre papel e encadernação de outro momento da minha vida. A história nasceu de um desenho que considero poético. As “segundas casas” da vida me tocaram profundamente — como a FEBF e a pedagogia, minha segunda graduação — e esse acolhimento em minha nova fase de vida me inspirou a criá-la.
Marcia Cavalcanti Rodrigues é indígena da etnia Potiguara, nascida em 20 de janeiro de 1993, no Estado da Paraíba. Atualmente reside no Rio de Janeiro, onde cursa pedagogia na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ).
Durante a disciplina ministrada pela professora Leila Mendes, vivi uma experiência que jamais imaginei: a criação de um livro infantil de minha autoria. Quando fomos convidadas a criar uma história e, a partir dela, produzir um livro, senti um misto de surpresa e insegurança. Nunca me imaginei capaz de escrever uma história, muito menos de construir um livro inteiro. Mas, ao longo do percurso, com o apoio dos textos e das trocas em sala, percebi que nossas vivências e afetos também são matéria-prima para a criação. A leitura do livro Territórios da invenção: ateliê em movimento, de Stela Barbieri, foi essencial nesse processo. Seus conceitos sobre experiência estética me ajudaram a entender que aquilo que nos marca e atravessa pode e deve ser valorizado como fonte de conhecimento e expressão. Foi a partir desse entendimento que comecei a resgatar minhas memórias de infância no interior da Paraíba, especialmente as manhãs que passei ao lado da minha avó materna, caminhando por estradinhas de terra, ouvindo o canto dos pássaros e aprendendo com ela a observar e respeitar o mundo ao nosso redor. Assim nasceu “Joana, Rosa e os Pássaros”, uma história tecida com afeto e memória, na qual, minha sobrinha Joana representa a criança que fui, curiosa e encantada com a natureza. Escrever esse livro foi um reencontro com minhas raízes, com a terra onde cresci e, principalmente, com os ensinamentos da minha avó Rosa, uma mulher forte, doce e apaixonada pelo canto dos pássaros. Nesse mergulho afetivo, recordei o livro O pássaro encantado, de Eliane Potiguara, cuja frase escolhi para abrir minha narrativa. Eliane fala da ancestralidade indígena e da importância das avós como guardiãs dos saberes. Suas palavras me atravessaram profundamente, pois carrego comigo a descendência do povo Potiguara. A metáfora do pássaro como ancestral ressoou em mim com força, dando ainda mais sentido à presença dos pássaros na minha história e à figura da minha vó. Todo o processo, desde a escrita até a escolha das imagens, passando pela criação da editora fictícia ROSAMAR, foi um exercício profundo de cuidado, memória e invenção. A disciplina foi essencial para que eu reconhecesse minha história como legítima, estética e cheia de sentido educativo. Mais do que cumprir uma atividade acadêmica, criar esse livro foi vivenciar uma travessia afetiva e ancestral, que me conectou às minhas raízes e me mostrou a potência das histórias que carregamos dentro de nós. Compreendi que educar também é abrir espaço para a invenção, para o afeto e para a valorização das experiências pessoais como saberes importantes. Hoje, olho para esse trabalho com orgulho e gratidão por ter conseguido transformar uma memória tão íntima em um livro real, sensível e cheio de significado, narrando com amor um pedaço da minha própria história.
Mylena Marques da Cunha tem 21 anos, está no 5° período de pedagogia na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ) e é apaixonada por leitura e escrita.
A disciplina de Infância I, ministrada pela professora Leila Mendes, fugia à regra das demais disciplinas daquele semestre, instigando provocações e reflexões acerca da infância e me tirando da zona de conforto com as dinâmicas que eram propostas em todas as aulas, que tinham o intuito de resgatar a criança interior de cada um. Ao final, surgiu a ideia da realização de um livro autoral, do zero, e tanto as dinâmicas quanto os textos debatidos durante a disciplina foram fundamentais para a criação e idealização do livro. Decidi desenvolver um livro infantil chamado “A menina que não falava”, pois queria apresentar a história de uma menina com deficiência auditiva, mostrando as inúmeras possibilidades de comunicação, a importância do acolhimento, da amizade, da inclusão e do ensino de Libras dentro de um universo infantil de afetos. O processo de criação do livro foi incrivelmente surreal e uma experiência única, apesar de ter tido alguns desafios (o que é completamente normal), como formar uma narrativa condizente com o público-alvo, a escolha do papel para a impressão, a escolha dos desenhos, que também precisavam contar e expressar a história, gerando, dessa forma, a experiência estética do meu livro.
Pamela Oliveira dos Santos nasceu no dia 26 de julho de 1987, na cidade de Duque de Caxias, no Estado do Rio de Janeiro, e é graduada em serviço social pela Universidade do Grande Rio. Atualmente cursa pedagogia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF-UERJ). “Escrever se tornou um exercício de desabafo das emoções.”
A construção do livro foi uma proposta feita pela professora Leila de Carvalho Mendes, e foi algo muito novo para mim, confesso que no início a recebi com um certo receio, mas fiquei animada, pois naquela semana tinha vivenciado uma experiência que foi a inspiração para a criação da história que seria narrada e ilustrada no livro “A única árvore que havia no quintal”. De início pensei em me colocar como protagonista da história, mas pensei melhor e decidi que a árvore seria a protagonista e a menina chamada Mel, a coadjuvante. Escolhi trazer alguns elementos que, de certa forma, fizeram parte da minha infância, como a alegria de brincar no quintal dos meus avós e ter a oportunidade de conhecê-los, poder ouvir o canto dos mais variados pássaros que vivem no bairro onde moro e viver a experiência de me mudar depois de morar por 34 anos em uma mesma casa, onde convivia com meus pais e irmãs. Entendo que cada momento da nossa existência é único para nós ainda que não tomemos conhecimento disso no momento que acontece. Quando de fato olhamos para trás vemos como a vida foi a junção desses momentos únicos, vividos em tempos diferentes, mas com igual importância. A infância, o tempo de ser criança, passa muito rápido e, quando chega a fase que consideramos como aquela em que devemos ser adultos, nos comportar como adultos, acreditamos que todos os elementos que faziam de cada um de nós, uma criança ficou para trás, como se num passe de mágica, só nos restasse trabalhar e levar uma vida corrida sem tempo para olhar para o céu, para ouvir o canto dos pássaros, para subir em uma árvore e poder comer dos seus frutos. Puro engano, somos adultos cheios de curiosidades, com muitas perguntas não respondidas, cheios de vontade de aprender, de viver novas aventuras, desbravar mundos. Hoje sou adulta, mas carrego em mim a criança que fui. Pude utilizar toda a minha criatividade e poder de invenção na história que primeiro vivi, depois narrei, e coloquei no livro cujo texto apresento a você, querido leitor.
Priscila Gonçalves Pereira tem 23 anos, é bailarina, esposa, mãe, além de estudante na FEBF-UERJ, cursando o 8º período do curso de pedagogia. Com muita dedicação está concluindo a graduação, após abrir mão de um emprego no qual tinha um cargo de gestão, para então conseguir se focar com total dedicação ao seu sonho, se formar na universidade pública.
Criar o livro “A menina que não se encaixava” foi uma experiência intensa e transformadora. Compartilhando minhas experiências pessoais e lidando com momentos difíceis, consegui criar uma história infantil que pôde se conectar com crianças que, assim como eu, já se sentiram como se não fizessem parte daquele lugar. Pude perceber como a expressão artística pode ser uma maneira de lidar com o passado e gerar questões transformadoras sobre a vida. Ao contar às crianças que não estão sozinhas quando sentem que não se encaixam, minha intenção foi trazer não apenas esperança, mas poder também encorajar a aceitação de si mesmas como um caminho para uma mudança. Os desenhos me ajudaram a concretizar o meu processo de libertação. Por fim, essa experiência, apesar de ter seus momentos difíceis, se transformou em um livro que pode tocar pessoas de todas as idades. Meu objetivo é validar os sentimentos daqueles que se sentem fora do lugar e inspirá-los a abraçar sua própria jornada emocional. Fui uma criança que por vezes se sentia deslocada em muitos ambientes e relações. O livro “A menina que não se encaixava” é inspirado na minha história de vida, em como me sentia na infância e como lidei com isso com o passar do tempo.
Detalhes
ISBN: 978-65-251-8941-3
ISBN Digital: 978-65-251-8939-0
DOI: 10.24824/978652518941.3
Ano da Edição: 2026
Distribuidora: Editora CRV
Número de páginas: 122
Formato do livro: 14x21
Numero da Edição: 1
Assunto: B726 Bordando experiências estéticas: cartografias do devir-criança na Baixada / Leila de Carvalho Mendes (organizadora) – Curitiba : CRV, 2026. 122 p. Bibliografia ISBN Digital 978-65-251-8939-0 ISBN Físico 978-65-251-8941-3 DOI 10.24824/978652518941.3 1. Educação 2. Formação de professores 3. Experiência estética 4. Cartografia 5. Mediação de leitura - devir-criança 6. Mendes, Leila de Carvalho. org. I. Título II. Série. CDU: 37(7.01) CDD: 370 Índice para catálogo sistemático 1. Educação – 370
