Amostra:
Clique aqui para ver a amostra do livro (PDF)
Link PDF
Sinopse:
“Uma obra para quem acredita que a universidade pode e deve aprender com os saberes que historicamente deixou de fora” (Gerson Ledezma Meneses – IMEA). Que lugar ocupam os saberes ancestrais na universidade contemporânea? Como reconhecer, em termos acadêmicos, conhecimentos transmitidos por gerações por meio da oralidade, do ritual, da prática cotidiana e da relação com o território? Este livro documenta a resposta que a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), por meio do Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA), ofereceu a essas perguntas. Nele, reconstitui-se o processo de titulação de doze Mestras e Mestres de Saberes Tradicionais e Populares pelo reconhecimento de seu Notório Saber. Nesta obra, a leitora e o leitor encontrarão as trajetórias de intelectuais e guardiãs da memória ancestral, educadoras da pedagogia intercultural e da educação própria, defensoras e defensores de línguas minoritárias, da governança territorial indígena e de sua cosmovisão, bem como de lideranças espirituais de terreiros afro-brasileiros. São mulheres e homens do Brasil, da Bolívia, da Colômbia, do Equador, da Guatemala e da Venezuela, cada qual construtora e construtor de um conhecimento que a universidade tradicionalmente ignorou, e que agora é reconhecido como expressão concreta do compromisso da UNILA com a pluralidade epistemológica, a decolonialidade do saber e a justiça epistêmica na educação superior latino-americana e caribenha.
Autores:
Organizadoras E Organizador
Gerson Galo Ledezma Meneses
Nascido no Maciço Colombiano. Doutor em História Social pela Universidade de Brasília e mestre em História Andina – Bolívia, Peru, Equador e Sul da Colômbia, pela Universidade del Valle. É professor Associado IV da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e ocupa o cargo de Coordenador Executivo do Instituto Mercosul de Estudos Avançados – IMEA desde 2023.
Jacqueline Méndez Gamboa
Colombiana. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPGICAL/UNILA), mestra pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-americanos (PPGIELA) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Especialista em Pedagogia. Especialista em Cooperação Técnica Internacional. Licenciada em Letras - Espanhol e Inglês. É pesquisadora vinculada ao grupo de pesquisa RASTTROS da UNILA.
Solange Bonomo Assumpção
Brasileira. Doutora em Letras. Mestra em Linguística. Especialista em Alfabetização e Letramento, em Educação Especial Inclusiva e em Educação Digital. Licenciada em Pedagogia e em Letras. Atualmente é pesquisadora, educadora popular e pedagoga da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Realiza ações de extensão de Educação Popular, especialmente no âmbito da defesa de direitos e da alfabetização/letramento de pessoas jovens, adultas e idosas, assim como ações que visam ao aprimoramento de processos de gestão da Educação Superior. Integra o “Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Educação Básica e Superior na América Latina e no Caribe” e o “Núcleo de Estudos em Educação Latino-Americana e Caribenha (Neelac)”, ambos vinculados à UNILA.
Senilde Alcântara Guanaes
Brasileira. Doutora em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia e mestra em Antropologia Social. Ocupou a chefia do Gabinete da Reitoria da UNILA no período de 2023-2025. Desde 2011, é professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA, atuando no Ciclo Comum de Estudos (CCE), no curso de Antropologia e no Programa de Mestrado em Integração Contemporânea da América Latina PPGICAL. Integrou o Celassan – Centro Latino-Americano de Ciência e Tecnologia em Soberania, Segurança e Educação Alimentar e Nutricional da Região Sul (UNILA/MCTIC), no qual criou o Grupo de Interesse Especial (SIG) SSANPOPS – Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional de Populações Campesinas, Tradicionais e Indígenas. Foi representante da Unila no Conselho Municipal de Políticas Culturais do Município de Foz do Iguaçu-PR (2018-2022).
Autoras E Autores
Amanda Trinidad Villalba Guccione Vieira (ifarunké Iyá)
Brasileira. Doutora por Notório Saber em Cultura de Terreiro: Espiritualidade Integrativa. Paraguaia, nascida em Concepción, filha de mulher indígena do Chaco. Reside em Foz do Iguaçu, Brasil. Acumula 44 anos de atuação na cultura de terreiro. Fundadora, em 1983, da Casa de Candomblé Nação Jeje (Ilê Asè Igá Odé-Ketu), em Foz do Iguaçu, a Iyalorixá é responsável desde 2007 pela coordenação e organização da tradicional Festa de Iemanjá da Tríplice Fronteira, incluída no calendário municipal de Foz do Iguaçu em 2023. Participou como convidada dos Seminários Internacionais do IMEA/UNILA (2023, 2024) e do I Seminário de Políticas Públicas e Povos de Terreiros (2020). Recebeu a Honra ao Mérito (2023) e o Agradecimento CEBRAS da Federação de Umbanda e Candomblé do Paraná (2015).
Ednamar Costa De Almeida
(mãe Edna De Baru)
Brasileira. Doutora por Notório Saber em Cultura de Matriz Africana: Terreiro. Iyalorixá nascida em Ponta Grossa, Paraná, Brasil. Acumula mais de 30 anos de dedicação aos saberes tradicionais de matriz africana. Fundadora e dirigente espiritual do Ilê Alaketu Ijobá Bayo Asé Baru Orogbolape (Ilê Baru), em Foz do Iguaçu, Paraná. Criou o Samba do Ilê Baru, o Coral Afro Kafu’Nangy e desenvolve oficinas de culinária sagrada e ervas medicinais. Presidiu o COMPIR (2024-2025) e contribuiu para a aprovação das leis municipais de criação do Conselho da Igualdade Racial e do Dia de Iemanjá. Participou dos Seminários Internacionais do IMEA/UNILA. Recebeu o Prêmio Selma do Coco, Mestra da Cultura Popular (2018) e integrou o programa IberCultura Viva (2019).
Elias Marques Dos Santos Filho (pai Elias)
Brasileiro. Doutor por Notório Saber em Cultura do Terreiro: Espiritualidade Integrativa, nascido em São Paulo, Brasil. Acumula 39 anos de dedicação aos saberes tradicionais de matriz africana. É Axogun do Ilê Asè Oju Ogún Funmilayó, em Foz do Iguaçu, no Paraná, responsável pelas práticas rituais, folhas sagradas, ferramentas rituais e fundamentos do Candomblé. Percussionista e Conselheiro Fiscal do Afoxé Ogun Fúnmilayó, contribui para a preservação e difusão da cultura afro-brasileira nas ruas de Foz do Iguaçu.
Francisco Ramiro Batzin Chojoj
Guatemalteco. Doutor por Notório Saber em Cosmovisão e Governança Indígena, liderança do Povo Maya Kaqchikel da Guatemala. Acumula mais de 36 anos de atuação na defesa dos direitos indígenas, da conservação ambiental e da valorização dos conhecimentos tradicionais. Copresidente do Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Biodiversidade (FIIB) e vice-presidente da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o primeiro indígena a ocupar esse cargo na história da organização. Contribuiu para que 8 das 23 metas do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal fossem dedicadas aos povos indígenas e para a criação do Órgão Subsidiário sobre o Artigo 8j da Convenção sobre Diversidade Biológica. Recebeu reconhecimento da UICN por sua contribuição à conservação e governança indígena (2025).
Luis Eduardo Maldonado Ruiz
Equatoriano. Doutor por Notório Saber em Cultura Indígena: Interculturalidade e Movimentos Sociais, nascido na Comunidade de Peguche, Otavalo, Equador, do povo Kichwa Otavalo. Acumula 45 anos de atuação na defesa dos direitos dos povos indígenas e na construção da interculturalidade. Fundador do Taller Cultural Causanacunchic (1976), foi dirigente da Federação Indígena e Camponesa de Imbabura (FICI), membro da Assembleia Constituinte de 1998 e o primeiro indígena a ocupar o cargo de Ministro de Estado no Equador (Ministro do Bem-Estar Social, 2001). Presidiu o Conselho Diretivo do FILAC (2001-2003) e coordenou a Cátedra Indígena Intercultural. Participou da aprovação do Convênio 169 da OIT e da Declaração da ONU sobre Direitos dos Povos Indígenas. Recebeu a Ordem Nacional ao Mérito no grau de Grã-Cruz, a Ordem do Quinto Sol e a Medalha Sarance.
Maria Ângela Da Silva Santos (mãe Ângela)
Brasileira. Doutora por Notório Saber em Cultura de Terreiro: Saberes Alimentares Tradicionais, nascida em São Paulo, Brasil. Acumula 37 anos de dedicação aos saberes tradicionais de matriz africana. É Ekedji e Ojoiye de Ogum do Ilê Asé Oju Ogún Funmilayó, em Foz do Iguaçu, Paraná, responsável pelos saberes alimentares sagrados, incluindo o preparo de comidas rituais, Ebós e a cerimônia do Olubajé. Conselheira no COMSEA e no COMPIR, vice-presidente da AREMAFI. Participou como convidada dos Seminários Internacionais do IMEA/UNILA (2023, 2024 e 2025) e da Semana Acadêmica de História da UNILA. Integra o Afoxé Ogún Funmilayó.
Maria Clemencia Herrera Nemerayema
Colombiana. Doutora por Notório Saber em Cultura Indígena: Educação e Direitos, liderança do povo Uitoto, nascida em La Chorrera, Amazonas, Colômbia. Acumula 35 anos de atuação na defesa dos direitos indígenas, educação própria e fortalecimento de mulheres. É fundadora da Corporação MUTESA (2004), que beneficiou mais de 2 mil mulheres indígenas, e criadora da Escola de Formação Política para a Liderança e a Governabilidade na Amazônia Colombiana, que formou mais de 500 lideranças de 57 povos. Coordenou a Escola de Formação Indígena Nacional (EFIN/ONIC) e lidera a criação da Universidade Nacional Indígena da Colômbia (UNIC). Recebeu o Prêmio Bartolomé de las Casas (2019) e o reconhecimento de Melhores Líderes da Colômbia (2019).
Maria Eugenia Choque Quispe (waraya)
Boliviana. Doutora por Notório Saber em Cultura Aymara: Memória Andina, intelectual e liderança do povo Aymara, nascida na Comunidade de Waraya, Tiwanaku, na Bolívia. Acumula 24 anos de atuação na recuperação da memória oral andina, na reconstituição dos ayllus (territórios ancestrais) e na defesa dos direitos indígenas. Foi membro do Taller de Historia Oral Andina (THOA), do Movimento Universitário Julián Apaza (MUJA) e do Foro Permanente para as Questões Indígenas da ONU (2014-2016). Atuou no Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia, promovendo o registro de nomes indígenas. É coordenadora da Red de Mujeres Indígenas sobre Biodiversidad de América Latina y el Caribe (RMIB-LAC) e membro titular do Grupo de Trabalho DADIN da OEA (2025-2027). Recebeu reconhecimento pela luta em defesa da democracia (2023) e pela pesquisa da filosofia andina (2009).
Maria Laura Santillán Santillán (sara Ñusta)
Equatoriana. Doutora por Notório Saber em Cultura Kichwa: Educação Popular, nascida na Comunidade de Agato, Equador, do Povo Kichwa. Acumula 25 anos de atuação na revitalização da língua e cultura kichwa por meio da educação intercultural bilíngue. Cofundadora do Centro Educativo Comunitario Intercultural Bilingüe Yachay Wasi (2001), em Quito, onde desenvolveu a pedagogia Ishkay Yachay, baseada no calendário agrofestivo andino e nos quatro pilares da justiça social, ecológica, espiritual e linguística. É autora dos livros Ishkay Yachay, Campesinando la Ciudad e Ser Anciano en los Andes. Foi acreditada como Membro da Seção Acadêmica de Ciências Ancestrais e Interculturalidade da Casa de la Cultura Ecuatoriana (2015) e reconhecida pelo Ministério da Educação do Equador (2018) e pelo Ministério da Saúde (2019). Recebeu homenagem da Deutsche Welle (DW) em documentário de 2025.
Marta Helena Szadkoski
Brasileira. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPG-ICAL) da UNILA, mestra em Educação Profissional e Tecnológica (PROFEPT) pelo IFPR – Campus Curitiba. Atualmente é Secretária Executiva na Universidade Federal da Integração Latino-Americana e integra, na condição de pesquisadora, o Grupo de Pesquisa RASTTROS da UNILA.
Milangela Angulo Yavina (iwine)
Venezuelana. Doutora por Notório Saber em Cultura Warekena: Artes, liderança e educadora do povo Warekena, nascida em Puerto Ayacucho, Amazonas, Venezuela. Acumula 20 anos de atuação na revitalização da língua e cultura Warekena. Criadora e coordenadora do Nicho Warekena (Atu Nawi Petetanipe) desde 2000, espaço de educação comunitária voltado à transmissão da língua, danças, artesanato e saberes tradicionais. É presidenta da Associação Civil Warekena, fundadora do grupo Danza Warekena e do empreendimento Artesanías Iwajli. Foi coautora da Cartilla Warekena (2011) e de materiais pedagógicos para o ensino da língua. Representou seu povo em encontros internacionais na Austrália (2007) e África do Sul (2009). Recebeu reconhecimentos da ORPIA (2023) e do Ministério da Educação da Venezuela.
Roberta Áureo Martins De Souza (mãe Roberta / Iya Roberta Ogun)
Brasileira. Doutora por Notório Saber em Cultura de Terreiro: Artes, nascida em São Paulo, Brasil. Acumula mais de 20 anos de dedicação aos saberes tradicionais de matriz africana, com especialidade em canto, dança e instrumentação musical. É Iyalorixá do Ilê Axé Ogun Funmilayo, terreiro que herdou de sua falecida mãe, Mãe Marina Tunirê, em Foz do Iguaçu, Paraná. Construtora artesanal de instrumentos musicais sagrados, lidera o Afoxé Ogún Funmilayó, que leva a cultura de terreiro às ruas em eventos como o Carnafalls e a CONPIR. Recebeu prêmio Honra ao Mérito (2023).
Ruben Hilare Quispe (jilalu Qhisphi)
Boliviano. Doutor por Notório Saber em Cultura e Língua Aymara: Educação e Letras, nascido na Comunidade de Walata Chico-Omasuyos, Bolívia. Acumula 22 anos de atuação na valorização e difusão da língua e cultura aymara. Cofundador da Comunidade Virtual Aymara Jaqi Aru, é responsável pela inserção pioneira do aymara no ambiente digital, incluindo a localização do Facebook e a criação da Wikipedia Aymara. Sua produção inclui o dicionário trilíngue Términos Tecnológicos en Aymara, traduções de clássicos para o aymara e diversas obras didáticas. Foi docente em diversas instituições, dentre elas a Universidad Indígena Aymara Tupak Katari e a Universidad Pedagógica, bem como pesquisador no Centro de Investigaciones Sociocomunitarias del Estado e comunicador social em rádio e televisão. Recebeu o Prêmio Nacional Guamán Poma de Ayala em Lengua Originaria e o Prêmio Wayna Mallku (2025).
Sandreia Fonseca
Brasileira. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina (PPG-ICAL) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), mestra em Políticas Públicas e Desenvolvimento, graduada em Administração e pesquisadora vinculada ao grupo de pesquisa RASTTROS da UNILA. Atualmente é Assistente em Administração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana.
Detalhes
ISBN: 978-65-251-9969-6
ISBN Digital: 978-65-251-9970-2
DOI: 10.24824/978652519969.6
Ano da Edição: 2026
Distribuidora: Editora CRV
Número de páginas: 206
Formato do livro: 16x23
Numero da Edição: 1
Assunto: T617 Título de notório saber: reconhecimento de conhecimentos, práticas e ofícios tradicionais e populares de mestras e mestres da América Latina e do Caribe no âmbito da Universidade Federal da Integração Latino-Americana / Gerson Galo Ledezma Meneses, Jacqueline Méndez Gamboa, Solange Bonomo Assumpção, Senilde Alcântara Guanaes (organizadores). – Curitiba: CRV, 2026. 206 p. (Coleção: Título de Notório Saber, v. 1). Bibliografi a ISBN Coleção Digital 978-65-251-9968-9 ISBN Coleção Físico 978-65-251-9972-6 ISBN Volume Digital 978-65-251-9970-2 ISBN Volume Físico 978-65-251-9969-6 DOI 10.24824/978652519969.6 1. Educação 2. Pluralidade epistemológica 3. Decolonialidade do saber 4. Justiça epistêmica 5. Conhecimentos tradicionais 6. América Latina 7. Caribe I. Meneses, Gerson Galo Ledezma, org. II. Gamboa, Jacqueline Méndez, org. III. Assumpção, Solange Bonomo, org. IV. Guanaes, Senilde Alcântara, org. V. Título VI. Série. CDU: 37.01 CDD: 370.1 Índice para catálogo sistemático 1. Educação – Epistemologia – 370.1
